pra nao dizer que nao falei etc


Muitas coisas estimulam, quase sem querer, meu cérebro a debater metalmente assuntos polêmicos. A ocupação da reitoria da usp tem sido uma dessas. Há dias tenho pensando no que acreditar e em quem defender no meio dessa confusão e sincrese de opiniões.
Estudar numa universidade não é só frequentar as aulas. É participar, é desenvolver o senso político. Isso, os alunos tem feito muito bem, e merecem os parabéns. Mas envolver o discurso das drogas é enfraquecer os argumentos. Sabe, o que acho que diminui o poder da discussão é o debate sobre o uso da maconha. O fato disso ter sido o estopim pra revolta distoa do sentido político do debate. É crime fumar maconha, mas é um crime despenalizado. Brigar com a polícia, subir nas viaturas e impedir o trabalho policial porque seu amigo de faculdade tá fumando um baseado não tem fundamento. Iriam no máximo ter que frequentar uma semana de um curso sobre os males das drogas, pronto. Se é crime, a polícia tem que levar pra delegacia, fazer valer a lei, porque isso sim é democracia.
Claro que eu sei que as reinvidicações principais se baseiam na presença da PM e na legitimidade e soberania da Universidade, local de construção de ideias e mudança de pensamentos. É verdade que nenhum órgão do governo pode interferir nas práticas acadêmicas, porque isso viola o real sentido da instituição. Eu também não acho que a PM deva estar lá. Mas, infelizmente, há muito mais envolvido do que o confronto de ideologias. A segurança pública, não só no campus da USP, mas em todo o Brasil, pede socorro. E isso deve ser levado em conta. Os PMs são necessários na universidade porque só assim a violência diminui. E não to falando de baseadinho no setor de humanas. To falando de assalto a mão aramada, estupro, assassinato. A maconha é o de menos.
A presença da polícia não é o ideal, mas é o que tem pra hoje. Se os alunos oferecessem uma alternativa que trouxesse segurança e não envolvesse o governo (um empresa de segurança privada, talvez), certamente a discussão seria mais pacífica e daria resultados positivos.

era das revoluções

Cidade com nome de gente pra mostrar quem é que manda. O poder tá tatuado no sangue porque tatuagem na pele é coisa de malandro. Essa vontade de mudar o mundo, de espalhar ideologia, difundir idéias, fazer discurso e ser calado, protestar contra isso e ser calado de novo, gritar pros quatro cantos do mundo que tá tudo errado. Eu quero sentir a mudança pulsando pelo mundo como a adrenalina corre pelas minhas veias, chega até o cérebro e me deixa assim tão viva.  Como a Terra segue sua órbita rotineira enquanto o amor escorrega entre nossos dedos?  Alinho o transferidor num ângulo no livro de matemática e um míssil Sindewinder parte em direção a um Mirage III. Traço uma círculo no compasso e um soldado da Guarda Galesa surge no meio dos arbustos em chamas e leva um tiro no olho. Como o mundo consegue seguir em frente como se nada disso estivesse acontecendo?
Falta a faísca pra acender o pavio, as mentes e as ideias estão aqui na mente, precisando de um tapa pra saírem pela boca, gritadas com todas as forças porque o futuro depende disso, amor depende disso. As ideias estão aqui se debatendo como os loucos se debatem contra as paredes do sanatório e sem o incentivo pra que saiam elas vão caindo esquecidas no fundo do meu lobo frontal.

Um pouco mais de azul e eu era além.