criando personagens

Brasileiro não perdoa. A imagem do povo brasileiro bonzinho, que gosta de todos os outros, que se respeita e vive em harmonia não é verdadeira em sua totalidade. Tive certeza disso ontem, quando fiquei sabendo da morte do comediante Cláudio Chirinian, mais conhecido pelo seu pesonagem ET, que fazia dupla com Rodolfo (sim, é aquele do microfone subliminar QQ) no Domingo Legal do Gugu. Quando a notícia saiu, surgiram, do nada, dezenas (talvez até centenas) de fãs do ET. Disseram que o personagem fazia parte da história da televisão, que adoravam suas músicas e que ele faria muita falta. Mas que paradoxo! Pois me lembro muito bem que, quando a dupla sumiu da televisão, as mesmas pessoas e a maioria dos telespectadores deram graças aos céus e afirmaram que ele era uma das piores coisas da televisão brasileira. Passou do ridículo ao herói na hora  que morreu.

Mas essa “volatilidade“, por assim dizer, dos brasileiros, é perceptível em outro momentos, muito mais comuns. Um dia desses vi um jogador ser vaiado no campo por perder um gol. No mesmo jogo, ele cobrou um pênalti e saiu como herói. Foi do céu ao inferno em menos de 90 minutos, porque temos essa mania incessante de criar heróis e vilões o tempo todo, todos os lugares, por qualquer motivo. Político: vilão. Gari que sorri na escola de samba: Herói. Ronaldinho gaúcho há alguns anos: Herói. Ronaldinho gaúcho hoje: vilão. Garoto que larga os estudos pra ir ajudar no Haiti: Herói. Ou Vilão. Depende do ponto de vista, da conveniência.

Mais uma vez, afirmo: brasileiro não perdoa. E você, é herói ou vilão?

mania nacional

Hoje teve jogo do Brasil.

Essa frase poderia ser perfeitamente   ambígua. Jogo de que, afinal? Mas por alguma razão, ela é perfeitamente clara. Jogo do Brasil,  simplesmente. Fica subentendido que se trata de futebol. Ou não.

O que eu quero dizer é que, o estereótipo do brasileiro que samba, joga futebol, adora o Ronaldo e anda pelado já está tão enraizado em nós mesmos, que nem nos damos conta.  Se hoje tem jogo na hora da aula, todo mundo reclama com a diretora pra sair mais cedo, os gerentes de banco ficam conectados nos sites de esporte que transmitem em tempo real o jogo, enfim,todos nós estamos, direta ou indiretamente, ligados a essa mania nacional.

Não que eu não goste de futebol, porque eu adoro. Só acho que isso não é tudo. Não é porque ganhamos mais copas que a Argentina que eles são pessoas ruins, e não é porque Maradona era chegado num baseado que todos os argentinos são. Não é porque meu vizinho é vascaino e eu torço pro Flamengo que eu vou começar a odiá-lo.  O futebol não é a  melhor coisa do Brasil, mas infelizmente parece ser a única lembrada e valorizada.
Você sabia que se juntarmos a Amazônia brasileira, os restos de Mata Atlântica e o Cerrado, teremos a melhor e maior diversidade biológica do planeta? Você sabia que o Parque Nacional da Serra da Capivara é o sítio arqueológico mais importante do país no ponto de vista da Teoria Pré-Clóvis?

Essas e muitas outras informações nunca são divulgadas porque estamos todos presos a uma visão estereotipada de Brasil. Então se alguem perguntar pra você por que voce ama o Brasil, por favor, não diga que é porque somos ótimos no futebol. Obrigada.