relatividade

Sete e cinco era a hora que marcava no relógio parado  da biblioteca. Talvez àquela hora, há muito tempo atrás, uma bibliotecária velhinha estivesse abrindo as portas aos leitores. Ou uma aluna dedicada  teria acordado mais cedo pra pegar um livro que o professor recomendou.Às sete e cinco da noite um garoto estaria fazendo a lição atrasada, ou a mãe dele estaria alugando um livro de histórias para ler antes de dormir. No momento em que o relógio parou, um homem poderia estar correndo pra devolver o livro no prazo, ou alguém estaria calmamente descendo as escadas com um  volume capa dura de contos lúdicos antigos. Àquela hora tantas coisas poderiam ter acontecido que o tempo se tornou algo vago, escorregando entre meus dedos como areia fina. Sete e cinco sete e cinco sete e cinco sete e cinco era o barulho ensurdecedor do relogio na minha cabeça.

Às sete e cinco estava eu afogada em pensamentos enquanto uma senhora passava pela rua sem saber o que significavam as letras na porta dizendo “Biblioteca”.

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Um pensamento sobre “relatividade

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