técnica do claro-escuro.

Finalmente cheguei em casa. Dei duas voltas com a chave na fechadura, e encarei a escuridão da sala. Passei pelo corredor, e entrei no quarto vazio, já desviando dos obstáculos mesmo sem ver. Joguei as coisas em cima da mesa e caí na cama. Poderia ligar as luzes, fazer o jantar e assistir o jornal como sempre fazia, mas fiquei parada, olhando pro nada.
Gostava do escuro, na verdade. Não precisava me encarar no espelho e confrontar todos aqueles problemas de novo, e de novo. No escuro eu podia ser quem eu quisesse, já que ninguém ia me ver  ou me recriminar. Só eu e meus pensamentos, juntos, finalmente.
A escuridão limpou minha mente do mundo exterior e fiquei voltada unicamente pro que acontecia aqui dentro de mim, porque os problemas devem ser resolvidos de dentro pra fora. Fechei os olhos, o que pareceu bobo, mas me ajudou pensar. Pensar. Pensei muito, arduamente, vigorosamente, tudo ao mesmo tempo, rápido demais, muita informação, várias soluções, teorias, idéias, confusão. Sufocada levantei subitamente e abri a janela, respirando fundo. Fundo. Abri os olhos e vi luzinhas da cidade lá fora, cada uma delas uma vida com uma história, com seus problemas, mas mesmo assim, brilhando.
Sabe, no escuro você consegue pensar, mas não dá pra viver lá pra sempre.

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Um pensamento sobre “técnica do claro-escuro.

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